Vivência Campeira
A vivência campeira é uma escola feita de horizonte largo e chão batido. Não tem sino marcando hora nem parede segurando ensinamento; quem dá aula é o vento minuano, a geada madrugadora e o sol que nasce avermelhando as coxilhas. O primeiro caderno do guri é o lombo do cavalo, e as primeiras letras são escritas nos rastros deixados pelos antigos.
Aprende-se cedo que a natureza fala sem abrir a boca. A nuvem escura avisa da tormenta, o canto do quero-quero denuncia visita e o silêncio do campo ensina mais que muito discurso da cidade. Cada marca de espora, cada arreio no galpão e cada fogo de chão aceso ao clarear do dia carregam a memória de gerações inteiras.
Ser campeiro é viver de olhos atentos ao céu e de coração fincado na terra. É saber que o tempo não se mede pelo relógio, mas pelo florescer dos campos, pela engorda do gado e pelo ciclo das estações. É uma herança que não cabe em papel, porque se transmite de alma para alma, como o mate que passa de mão em mão ao redor do fogo.
Escola de chão batido
Sem parede e sem sineta
O minuano dá a aula
E o lombo do pingo é a meta
O quero-quero avisa a visita
O silêncio ensina o peão
A lição que o campo traz
Não se aprende em erudição
É herança de alma pra alma
Sem relógio e sem papel
Passada de mão em mão
Sob o mesmo azul do céu