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Lidando Com as Ovelhas
Por Administrador
Publicado em 21/01/2026 08:09
O Campo

Lidando com as ovelhas

O sol mal rompe a linha do horizonte e já vai dourando o campo, enquanto a peonada principia a lida, Entre prosa e alguns floreios, seguem enforquilhados de olho atento, mangueando o rebanho no campo do meio, onde o pasto ainda guarda o orvalho da madrugada.

Um mais ao largo vai costeando o aramado. Os ovelheiros seguem ligeiros, cortando o campo baixo. De quando em quando, o olhar se estica pra longe, campeando algum roceiro ou apartado, desses que se largam do lote sem pedir licença.

De um canhadão vem um assovio curto e certeiro, som conhecido que não precisa de grito. É aviso e comando ao mesmo tempo. O rebanho entende, se junta aos trancos, e vai clareando a coxilha num movimento só, como se o campo tivesse aprendido a se mover em conjunto. O branco das ovelhas se espalha pelo verde, pintando o chão feito nuvem baixa.

A lida aperta quando na mangueira. Vozes se levantam na medida certa, misturadas aos assovios e aos latidos dos ovelheiros. A cordeirada berra alto, e o som corre campo adentro, ecoando num cenário que só quem vive a campanha conhece. Ali, homem, bicho e chão se entendem no costume antigo, sem pressa, mas sem erro.

Pouco a pouco, o rebanho vai se embretando, se ajeitando em lotes, levantando poeira fina que o vento espalha. O serviço começa a tomar forma, e cada peão sabe o tempo exato de agir. Não é força, é cadência. Não é gritaria, é jeito.

Um dos mais antigos segue firme dosando. As ovelhas vão se alinhando, encordoando no brete como se obedecessem a um compasso invisível. O trabalho rende porque o campo respeita quem conhece seu ritmo.

No final, se apartam alguns capões sendo marcados pra o sustento da estância. São soltos no potreiro do cercado, onde aguardam o destino sem alarde. O sol já vai alto, a lida se aquieta, e fica no ar aquele cansaço bom, de serviço bem feito. Mais um dia na campanha, onde cada assovio conta história e cada passo deixa rastro no chão da fronteira.

...Sol clareando a coxilha,

Peão e sua experiência

O rebanho vem ao tranco,

No compasso da querência

Um “assoviozito” comprido,

O ovelheiro se larga sem reclamo,

O rebanho vai se acomodando

No costume pampeano...

 

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