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Entre o Arado e o Horizonte
Por Administrador
Publicado em 22/08/2026 09:04
O Campo

Entre o Arado e o Horizonte

Há quem diga que o homem evoluiu e evoluiu. Apreendeu a medir o tempo no relógio, encurtou distâncias, ergueu cidades e colocou o mundo inteiro na palma da mão. Mas, no caminho, talvez tenha desaprendido algumas coisa que o campo ensinava sem precisar de palavras. 
Na campanha, o primeiro mestre sempre foi o horizonte. O segundo, o tempo. 
Os antigos aprendiam olhando a natureza, acompanhando o cantar do quero-quero, o rumo dos ventos e o silêncio das estrelas. Sabiam que a vida é como uma árvore: quem cresce depressa demais pode criar galho fraco; quem cria raiz funda enfrenta qualquer ventania.
Tinham menos coisas, mas talvez carregassem menos pesos. Conheciam o valor da palavra empenhada, da mesa repartida, do respeito ao vizinho e da terra bem cuidada. Sabiam que a terra não era posse definitiva, mas empréstimo das próximas gerações.
Hoje conhecemos o preço de quase tudo, mas nem sempre lembramos o valor das coisas. A tecnologia aproximou o mundo, mas não pode substituir a boa prosa ao redor do fogo, o mate compartilhado ou a mão estendida sem interesse.
O campo continua sendo um velho mestre, paciente como um cinamomo à sombra da tarde. Ensina que perder folhas não é morrer às vezes é apenas preparar espaço para renascer. Ensina também que mudar faz parte da vida, mas esquecer as raízes é perder o rumo.
Talvez a verdadeira evolução não esteja apenas nas máquinas que inventamos ou nas estradas que construímos, mas na capacidade de permanecermos humanos: honestos, compassivos, gratos e conscientes de que somos apenas tropeiros do tempo, conduzindo nossos dias por esta imensa querência chamada vida.
O progresso nos deu asas, mas foram as raízes que nos ensinaram a voltar.
E quem sabe, quando o último sol se deitar sobre os campos do Sul, possamos olhar para trás com a serenidade de quem honrou o próprio caminho deixando pelo mundo marcas que nem a primeira chuva seja capaz de apagar.
 
...O arado antigo trazendo as raízes, 
o campo trazendo a memória 
e o horizonte simbolizando 
o caminho adiante...

João Luís de Almeida -@joaoluisdealmeidatemposhumanos
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