O Sentinela dos Pampas: Quero-Quero
Desde guri, acompanhando o pai nas percorridas de campo pela segunda zona de Herval e depois no Jaguarão Chico, a presença constante dos Quero-Queros marcava cada volta. Entre sobrevoos e tentativas de intimidação, eles sempre se mantêm próximas dos humanos. Tornaram-se vizinhança estimada e, sobretudo, alerta permanente: na campanha, onde as sedes das fazendas e sítios são afastadas, ninguém chega sem ser notado. Até mesmo a movimentação de animais como cobras, lagartos ou zorrilhos é seguida de rasantes e bicadas dos Quero-Queros. Não à toa, surgiu o ditado popular: sair “tapado de Quero-Quero”, em referência à pressa e ao alvoroço que provocam.
Com o passar dos tempos, parte da população migrou para áreas urbanas. O avanço dos plantios e a diminuição dos espaços naturais, somados ao crescimento populacional da espécie, levaram os Quero-Queros a ocupar largos, rotatórias, campos de futebol, praças, canteiros e até telhados.
Símbolo do Rio Grande do Sul
O Quero-Quero tornou-se ave-símbolo do estado, conhecido como o Sentinela dos Pampas ou Sentinela das Coxilhas. Representa coragem, vigilância e a forte ligação do povo gaúcho com a paisagem dos campos sulinos.
Presença na Música do Sul
José Cláduio Machado em seu álbum “Canção do Gaúcho”, gravou a canção Quero-Quero. Sidnei Lima, gravou a canção “Lenda do Quero-Quero”.
Érlon Pericles, no álbum Aventuras da Terra Gaúcha, gravou a “Canção do Quero-Quero.
O Quero-Quero, também da nome a dois festivais de música nativista aqui do sul:
Festival - Grito do Quero-Quero – de Herval do Sul e Festival Quero-Quero do Canto Nativo de Santo Cristo.
Conhecimento Popular
Convivência com o Quero-Quero
Na convivência com a ave, aprende-se que ao encontrar um ninho com quatro ou cinco ovos, significa que está em fase de choco. A foto de Mario Garcia, registrada no Sítio do Laçador, mostra um Quero-Quero no ninho — um local curioso e emblemático para compor sua morada e chocar os ovos.
Esse relato cultural revela não apenas o comportamento da espécie, mas também sua importância simbólica e afetiva para o povo gaúcho. O Quero-Quero é mais que uma ave: é parte viva da identidade dos pampas.
História do Quero-Quero
Origem do nome: vem do canto característico, que soa como “quero-quero”, usado para alertar sobre ameaças.
Lenda indígena: conta-se que uma tribo dormia nos campos e foi protegida por aves que gritavam ao perceber perigo. Esse mito transformou o Quero-Quero em guardião dos pampas, símbolo de proteção e coragem.
Comportamento marcante: mede cerca de 37 cm, possui olhos vermelhos intimidadores e esporões nas asas. Durante a reprodução, defende bravamente seus ninhos com voos rasantes e ataques diretos.
Presença Urbana
Adaptação: com a expansão agrícola e redução de áreas naturais, parte da população migrou para cidades.
Onde aparece: largos, praças, rotatórias, campos de futebol, canteiros e até telhados.
Função urbana: mantém o comportamento vigilante, alertando sobre movimentações e mantendo sua fama de guardião, mesmo fora dos pampas.
O Quero-Quero, portanto, é uma ponte entre passado e presente: guardião lendário dos pampas e vizinho urbano que continua a anunciar presenças e proteger seu território.
Matéria e Foto: Mario Garcia - @mariogarciatcheche